Soldadura
Industrial

Identificação do Curso

Nome do curso: Soldadura Aplicada ao Setor Petrolífero e de Gás (Onshore & Offshore)
Área de formação: Metalurgia e Metalomecânica / Soldadura

Público-alvo:
Soldadores qualificados que desejam especializar-se no setor petrolífero;
Técnicos de manutenção industrial;
Profissionais em reconversão com experiência em soldadura.

Pré-requisitos: Certificação de Soldador nível básico (ex: 40h) ou experiência comprovada mínima de 1 ano.
Conhecimentos básicos de leitura de desenho técnico e segurança

Carga horária total: 160 horas (sugestão: 120h teórico-práticas + 40h de projeto/avaliação)
Modalidade: Presencial ou Híbrida (teoria online, prática em laboratório credenciado)

Objectivos Gerais

Capacitar os participantes a executar, inspecionar e compreender os procedimentos de soldadura específicos
para a indústria do petróleo e gás, assegurando a qualidade, integridade e segurança exigidas
por normas internacionais (API, ASME, DNV), com foco em aplicações críticas em pressão,
corrosão e ambientes severos.

Estrutura Curricular e Conteúdo Programático

Módulo 1: Introdução ao sector petrolífero e normativas (20h)

Panorama da indústria: Upstream, Midstream, Downstream.

Equipamentos e estruturas críticas: Vasos de pressão, trocadores de calor, tubulações (pipelines), plataformas offshore, tanques de armazenamento.

Especificações de materiais: Aços carbono, aços de baixa liga (ex: AISI 4130), aços inoxidáveis duplex e super duplex, aços resistentes à corrosão (CRA).

Normas e códigos fundamentais:
 – ASME Seção IX: Qualificação de Procedimentos e Soldadores.
 – API 1104: Soldagem de Gasodutos e Oleodutos.
 – ASME B31.3: Process Piping.
 – API 650/653: Tanques de Armazenamento Soldados.
– DNV-ST-F101: Submarine Pipeline Systems.

Módulo 2: Processos de soldadura aplicados (40h) – (Foco prático)

Revisão e aprofundamento:
 – SMAW (Eletrodo Revestido): Posições forçadas (6G), eletrodos especiais (cellulosic, baixo hidrogênio).
 – GMAW/MIG-MAG: Transferência por spray e pulsada, arames sólidos e tubulares (FCAW).
 – FCAW (Arame Tubular): Autoprotegido e com gás de proteção. Muito usado offshore.
 – GTAW/TIG: Raiz de tubulações, soldagem orbital, materiais especiais (duplex, Inconel).

Processos Especiais: Introdução à Soldagem Orbital e à Soldagem por Eletrofusão para termoplásticos (aplicações auxiliares).

Módulo 3: METALURGIA da soldadura e prevenção de defeitos (20h)

– Efeito do ciclo térmico na Zona Afetada pelo Calor (ZAC).
Tensionamento e Distorção: Controle e correção.
Defeitos críticos no sector: trincas a frio, porosidade, falta de fusão.
Controle de Hidrogênio (H₂): Procedimentos de baixo hidrogênio – chave para evitar trincas.
Tratamento Térmico Pós-Soldagem (PWHT): Alívio de tensões, normalização.

Módulo 4: Projecto e interpretação de desenhos (20h)

– Simbologia de solda em desenhos de tubulações e vasos (ISO, AWS, ASME).
– Leitura de P&IDs (Diagramas de Tubulação e Instrumentação) e Isométricos.
– Interpretação de WPS (Especificação do Procedimento de Solda), PQR (Registro de Qualificação do Procedimento) e WPQ (Qualificação do Soldador).
– Cálculo de consumíveis (cálculo do peso de cordão de solda).

Módulo 5: Controle da qualidade e Ensaios Não Destrutivos (ENDs) (30h)

· Conceitos de Qualidade e Garantia da Qualidade (QA/QC).
· Papel do Inspetor de Soldadura (CWI – AWS).
· Ensaios Destrutivos: Dobramento, tração, impacto Charpy.

Ensaios Não Destrutivos (Teoria e Demonstração Prática):
– Visual (VT).
– Líquidos Penetrantes (PT).
– Partículas Magnéticas (MT).
– Radiografia (RT).
– Ultrassom (UT) – convencional e Phased Array (TOFD).
– Critérios de aceitação conforme normas (ex: código API 1104).

Módulo 6: SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE NO SETOR PETROLÍFERO (HSE) (10h)

– Cultura HSE (Health, Safety, Environment).
– Riscos específicos: trabalhos em altura, espaços confinados, atmosferas explosivas (ATEX).
– Permissão de Trabalho (Permit to Work – PTW).
– Gestão de resíduos de soldadura (fumos, escórias, gases).

MÓDULO 7: PROJETO INTEGRADOR E AVALIAÇÃO FINAL (20h)

· Desenvolvimento de um WPS para uma junta crítica (ex: tubulação 6″ SCH80, material API 5L X65, posição 5G/6G).
· Execução prática da solda conforme WPS desenvolvido.
· Inspeção visual e por END (simulado ou real) da junta soldada.
· Elaboração de relatório técnico.

Metodologia de Ensino

Aulas Expositivas Dialogadas: Uso de multimídia, casos reais.
Estudos de Caso: Análise de falhas, revisão de procedimentos.
– Práticas em Bancada e Cabine de Solda: Simulação de juntas típicas (tubo-tubo, tubo-chapa, chapas).
– Demonstrações: De equipamentos avançados e técnicas de END.
– Visita Técnica (se viável): A um estaleiro, pátio de tubulações ou fabricante de equipamentos.

Recursos Necessário

Infraestrutura: Sala de aula, laboratório de soldadura equipado com cabines ventiladas, máquinas para SMAW, GMAW, GTAW,
equipamento de oxicorte, mesas de soldagem.

Equipamentos Especiais: Máquina para soldagem orbital (demonstração), equipamentos de END (PT, MT, UT),
equipamentos de medição.

Materiais: Chapas e tubos em aço carbono e inox, consumíveis variados, EPIs completos (capacetes de solda automáticos,
mangotes, aventais, botinas de segurança).

Docentes: Instrutor de soldadura certificado (AWS/CWI ou equivalente) + Especialista em Engenharia de Soldagem/Inspeção.

Avaliação

Teórica: Provas escritas, participação em estudos de caso.
Prática: Avaliação contínua da técnica, qualidade do cordão, produtividade e segurança.
Projeto Integrador: Avaliação do WPS, da junta soldada e do relatório final.
Frequência Mínima: 75% para aprovação.

Certificação

– Certificado de Conclusão do Curso: Para alunos aprovados.

– Certificação de Qualificação do Soldador (Opcional/Complementar): O curso pode preparar o aluno para os testes de qualificação
sob normas específicas (ex: ASME IX, API 1104). A certificação propriamente dita é realizada por um órgão certificador credenciado
(ex: ABS, DNV, Lloyd’s Register) mediante testes pagos à parte.

Observação Final: Este programa é um modelo de excelência. A implementação específica deve considerar
as necessidades locais da indústria, o perfil exato dos alunos e os recursos financeiros disponíveis.
Parcerias com empresas do setor são altamente recomendadas para viabilizar equipamentos e estágios.

Rolar para cima